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A problemática dos espaços confinados: gases em espaços confinados (Parte 5)


 

Após conhecermos e entendermos a definição, é igualmente importante que os envolvidos em trabalhos que se realizam dentro de espaços confinados saibam lidar com um tema, que para a maioria dos trabalhadores é uma palavra abstracta: "gases"!!

  1. Onde se podem encontrar?
  2. Quais são?
  3. O que podem provocar?

Na relação directa com as actividades em Espaços Confinados, existe um conjunto de regras que assume um carácter essencial, tais como:

• A empresa possui espaços confinados?
• Definiu a quem se aplica?
• A empresa tem um programa/procedimento para a entrada em espaços confinados?

Se sim, para projectar ou planear um trabalho num espaço confinado, é necessário:

Identificar os espaços confinados existentes e proceder à avaliação de riscos;
Garantir a capacidade/conhecimento permanente dos trabalhadores sobre os riscos, as medidas de controlo de emergência e resgate em espaços confinados;
Garantir que o acesso a espaços confinados acontece apenas após a emissão da "Autorização de Trabalho";
Interromper os trabalhos nas situações de suspeição de condição de risco grave e eminente, procedendo à imediata evacuação do local.
Os preparativos para trabalhos em espaços confinados estão relacionados com o planeamento e preparação dos trabalhos a realizar. Como tal, previamente à execução de qualquer trabalho num espaço confinado, deve ser planeado na forma e no tempo, isto é, deve ser analisado o tipo de trabalho a realizar, o local, a hora de execução, o tempo de execução e as condições ambientais envolventes, em termos gerais.
Com este prévio conhecimento, é possível relacionar a actuação do trabalhador com os perigos envolvidos. Este ponto é extremamente importante, já que tem uma relação directa com a organização do trabalho.
O planeamento permite-nos ter um conjunto de elementos previamente estabelecidos, definidos e implementados, bem como manter uma matriz de identificação de perigos e avaliação de riscos definida, documentada e implementada. Desta forma, toda a fase de preparativos se torna sistemática, flexível e eficaz.

Objectivo do programa de entrada em espaços confinados:

• Implementar medidas para evitar o acesso a qualquer pessoa;
• Estimular o treino periódico dos trabalhadores;
• Manter por escrito os deveres dos envolvidos (descrição de funções);
• Funcionar como guia para se implementar serviços de emergência/resgate;
• Definir as regras de avaliação médica dos executantes (exemplo: despiste do álcool e das drogas, testes de tensão arterial);
• Definir as permissões de entrada (exemplo: autorização válida apenas para uma única vez).

Antes do trabalhador entrar, a atmosfera deve ser testada/medida por um trabalhador treinado e autorizado, com instrumento de leitura directa, no que concerne a:

1. Teor oxigénio
2. Gases e vapores inflamáveis
3. Contaminantes do ar potencialmente tóxicos

Após a verificação de condições para se iniciarem os trabalhos dentro do espaço confinado, a monitorização do ambiente interior, deve continuar obrigatoriamente até à interrupção/término dos mesmos. Para a execução de qualquer trabalho dentro de um Espaço Confinado, existe um conjunto de equipamentos que deve estar disponível.

A identificação dos EPI's a utilizar depende das fases anteriores. É sabido que qualquer empresa, tem por base um conjunto de EPI´s habitualmente constituído por fato de trabalho, botas, luvas, capacete e óculos para a realização das tarefas "normais". No entanto, as necessidades para a realização de actividades em Espaços Confinados deverão ser prescritas e definidas de acordo com a identificação de perigos e avaliação de riscos.

A formação permitirá a eleição dos equipamentos adequados.

Importa considerar que poderão ser necessários:

• Equipamentos de medição de gases (tóxicos & explosivos);
• Equipamentos de iluminação;
• Equipamentos de comunicação;
• Equipamentos de resgate (obrigatório);
• Equipamento de ventilação mecânica (quando necessário);

A detecção de gases, assume especial destaque, porque há muito que se percebeu que os quimiosensores do nosso organismo, os sentidos ou mesmo a experiência são demasiado falíveis para serem considerados como elementos de protecção.

Em todas as entradas em espaços confinados, deve ser efectuada a medição no topo, no meio e junto ao piso, obedecendo à seguinte sequência:

O2 (oxigénio) - É importantíssimo para a manutenção da vida Humana, mas também para que os sensores catalíticos consigam medir a explosividade. Atmosferas com insuficiência de Oxigénio (abaixo de 11%) não conseguem identificar as substâncias com características explosivas.
Explosividade - Porque a consequência é devastadora e acontece numa fracção de segundo.
Toxicidade - Pelos danos que pode provocar no imediato, mas essencialmente no médio/longo prazo.
Factores que influenciam a resposta biológica:
• Factores intrínsecos
• Factores extrínsecos
A densidade representa um papel determinante na segurança, dado que uma densidade elevada dificulta a dispersão dos gases e vapores aumentando os riscos de explosão e/ou de toxicidade. Cada vez mais se torna imperativo um olhar sério e responsável sobre as consequências da toxicidade. Em paralelo com as medidas de 1ºs Socorros que deverão ser prestados em caso de acidente.

Entende-se por Acidente o percalço negativo, repentino, imprevisto, longe da vontade humana e que pode causar danos de gravidade variável às coisas ou pessoas. Os trabalhos realizados dentro de espaços confinados, são mais propícios à ocorrência de mais acidentes do que aqueles praticados em ambientes "normais" e controlados.

Em relação à formação, não podem subsistir dúvidas em relação à necessidade de se desenvolverem programas de treino exigentes e sistematizados, para sensibilizarem os trabalhadores para os riscos existentes e ministrar-lhes a formação necessária para a eleição e uso dos equipamentos correctos e necessários à sua protecção, tornando-os assim pessoas competentes para executarem as tarefas em condições de segurança.

O treino é essencial para se definir o perfil neurológico dos trabalhadores e identificar possíveis indícios que possam comprometer a segurança dos trabalhadores, tais como a claustrofobia, a condição física e a condição psicológica, para além de lhes conferir competências para resposta adequada a situações de emergência e de resgate.

Em jeito de conclusão, apraz-nos dizer que:

  •  Mantenha sempre presente que os espaços confinados podem-se tornar fatais a qualquer momento
  • Siga sempre as normas de segurança estabelecidas pela empresa
  • Controle a atmosfera do espaço antes de entrar, continuamente durante a permanência e antes de voltar a entrar
  • Verifique uma eventual acumulação de gases a todos os níveis dentro do espaço confinado e tome muita atenção a locais inertizados
  • Use sempre instrumentos adequados e devidamente calibrados na monitorização da atmosfera
  • Tome em conta que os sensores dos aparelhos possuem um tempo de resposta não reagindo de forma instantânea
  • Mantenha-se documentado e treinado com os aparelhos que utiliza
  • Leia os manuais e não hesite em pedir apoio sempre que possua dúvidas sobre a sua utilização.

Aquilo que não conhece poder-lhe-á ser fatal.

Legenda siglas:

OIT (1) - Organização Internacional do Trabalho
OSHA (2) - Occupational Safety and Health Administration (USA)
EN (3) - European Standards
ACGIH (4) - American Conference of Government Industrial Hygienists (USA)
NIOSH (5) - National Institute for Occupational Safety and Health

Artigo escrito por Nuno Martins - Tecniquitel